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	<title>Literaturial</title>
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	<description>Uma viagem ao mundo das palavras</description>
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		<title>Semeai livros a mão cheia e mande o povo pensar</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Jan 2012 16:31:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gostaria de começar de forma positiva esse ano de 2012. Afinal esse é o primeiro post do ano. Daria aqui um destaque a esse ou aquele autor, esse ou aquele lançamento, mas decidi compartilhar a ação que um livro pode causar na conexão de uma cidade. Na primeira Vitrolada do ano com DJs acidentais (Chico [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=287&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_289" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><a href="http://literaturial.files.wordpress.com/2012/01/william-vendedor.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-289" title="William vendedor" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2012/01/william-vendedor.jpg?w=150&#038;h=112" alt="" width="150" height="112" /></a><p class="wp-caption-text">Conheçam William, um vendedor de livros</p></div>
<p>   Gostaria de começar de forma positiva esse ano de 2012. Afinal esse é o primeiro <em>post</em> do ano. Daria aqui um destaque a esse ou aquele autor, esse ou aquele lançamento, mas decidi compartilhar a ação que um livro pode causar na conexão de uma cidade.</p>
<p>Na primeira <em>Vitrolada </em>do ano com DJs acidentais (Chico Marques e Mauro Pavesi), no Torto, quem por lá baixou viu se repetir uma cena que, mesmo não sendo frequente, ilustra bem o livro como ativo econômico. Não, não estou aqui fazendo defesa de livreiros, escritores e casas editorais. Esse primeiro <em>post</em> do ano vai um pouquinho mais além: a possibilidade de transformação que o objeto livro pode realizar (algo meio impensável para os <em>e-books</em>, pelo menos até o momento).</p>
<p>Na última terça, na esquina das avenidas Siqueira Campos e Bartolomeu de Gusmão, estava lá novamente o William. Não sei qual é o seu segundo nome (ficar enchendo o sujeito de perguntas e ele logo me daria como policial ou algo do gênero. Quem é da noite conhece essas criaturas e sabe bem que não são lá muito afeitas a certo tipo de inquisição). É um morador de rua que tem consigo um carrinho de supermercado onde carrega seus pertences e sua mercadoria: livros.</p>
<p>Estende uma lona plástica na calçada e organiza sua livraria ambulante. Alguns títulos manjados, outros totalmente interessantes. Enfim, apesar da quantidade diminuta, o <em>nem-tão-trivial-assim</em> era variado.</p>
<p>Perguntei o preço dos exemplares, a fim de saber se havia alguma diferença de valor entre eles. Afinal, havia livros de medicina expostos lá, pediatria, anatomia, logo pensei que ele praticaria preços distintos.</p>
<p><em>É tudo R$ 5,00</em>. Isso mesmo! Toda aquela pequena fortuna tendo seus pedaços vendidos à R$ 5,00.  Títulos irresistíveis, preço irresistível.</p>
<p>Puxei assunto com o William. <em>O negócio é fazer uma baladinha diferente. Sei que o pessoal desse lado curte cultura, aí</em></p>
<div id="attachment_290" class="wp-caption alignright" style="width: 160px"><a href="http://literaturial.files.wordpress.com/2012/01/william-vendedor-i.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-290" title="William vendedor i" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2012/01/william-vendedor-i.jpg?w=150&#038;h=112" alt="" width="150" height="112" /></a><p class="wp-caption-text">William e seu carrinho de fortunas literárias de toda espécie</p></div>
<p><em>vendo meu livrinhos.</em>  Pelo estado de conservação dos exemplares, provavelmente ele os consegue no lixo. Pois é, ainda tem gente que, ao invés de doar as edições a bibliotecas, joga fora.  Enfim, bem a cara de uma parcela de nossa população que, apesar de rechonchuda conta bancária, é de uma indigência cultural sem par.</p>
<p>O trecho da Siqueira Campos entre Epitácio Pessoa e Bartolomeu de Gusmão é meio <em>o quarteirão da alegria</em>. De um lado o <em>C4</em> e o <em>Australiano. </em>Do outro, o <em>Torto</em>. William foi feliz ao dizer que o pessoal desse lado curte cultura. No caso de uma <em>Vitrolada</em>, numa terça, a presença de jornalistas, artistas e pessoas simpáticas às causas culturais é um pouco maior do que baladeiros de fim-de-semana que certamente não estão sensíveis ao trabalho de William.</p>
<p>Se pouco conheço cabeça de baladeiro, o William não passa de um <em>maloqueiro</em> que vende livros encontrados no lixo para beber cachaça. Da minha parte, o que ele faz com o dinheiro que ganha vendendo seus livros não é da minha conta. William é uma pessoa que trabalha com livros. Ainda que longe de nossa fantasia de esteriótipos, William, na última terça, era a única <em>loja de livros</em> aberta naquele horário, com bons livros, alguns em excelente estado de conservação e por um preço condizente com sua atividade de ambulante (não precisa pagar aluguel, água, luz, IPTU, ISS e outros tributos).</p>
<p>Enfim, tem gente que ainda faz cara feia ou torce o nariz. Administradores públicos com contas em <em>offshore</em> para lavagem de dinheiro é que é bom, bacana, pelo jeito. William é humilde. Talvez nem saiba o valor do trabalho dele. Mesmo assim, achei aquilo algo positivo, não no sentido comercial e de sobrevivência de William, mas por sua percepção de Cultura como uma pulsação, como um elemento que pode muito bem ser orgânico numa cidade que se diz <em>cultural</em>, mas que aponta para um desertificação inimaginável.</p>
<p>William, naquele instante, representou tudo aquilo que a Cultura deveria ser: orgânica. Um movimento e um pulsar sem grandes reflexões, transgressões ou comprometimentos estéticos e pessoais. <em>Vendo livros</em>, diria William. O resto é com você, leitor(a).</p>
<p>A propósito, graças ao William, tenho em casa, agora, <em>Crônicas Escolhidas</em> de Lima Barreto, e <em>O Conto da Ilha Desconhecida</em> de José Saramago.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturial.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturial.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturial.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturial.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturial.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturial.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturial.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturial.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturial.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturial.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturial.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturial.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturial.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturial.wordpress.com/287/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=287&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Achados e perdidos</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Dec 2011 19:57:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que fazer diante de um livro bom, bem escrito, mas que sabemos, de partida, enfrentaria resistência da massa de leitores? O que fazer diante de um livro bom, mas que, por questões de não querer combinar a mesa-de-centro com a moldura do quadro pendurado nas sala-de-estar, se tem a nítida noção que o melhor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=279&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_281" class="wp-caption alignright" style="width: 213px"><a href="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/12/brinde1.jpg"><img class="size-medium wp-image-281" title="Brinde" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/12/brinde1.jpg?w=203&#038;h=300" alt="" width="203" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Um Brinde em Copos de Plástico, de Ricardo Carlaccio</p></div>
<p>O que fazer diante de um livro bom, bem escrito, mas que sabemos, de partida, enfrentaria resistência da massa de leitores? O que fazer diante de um livro bom, mas que, por questões de não querer combinar a mesa-de-centro com a moldura do quadro pendurado nas sala-de-estar, se tem a nítida noção que o melhor que o autor realmente fez foi bancar a própria publicação? O que fazer diante de um livro bom, mas que ainda não encontrou o seu leitor? A propósito: estariam todos os leitores preparados para qualquer tipo de texto, tema, ou ficção? Se todos os leitores estivessem realmente preparados, haveria alguma graça na vida?<br />
Essas questões soaram como sino de igreja centenária em praça matriz ao término da leitura de <em>Um Brinde em Copos de Plástico</em>, de Ricardo Carlaccio. Vale lembrar que o livro em questão é uma edição do próprio autor, no melhor do <em>do-it-  yourself</em>. As aventuras do herói do livro e seu parceiro, a travesti anã Tinky Winky são quase um desfile de situações e personagens alegóricos bem longe do convencional e do caricato.  Nada mais do que a falência do ser como humano, o ser mergulhado em obscuridades e hedonismos sem freios, uma espécie de agonia da virtude. Definitivamente, a perturbação, o niilismo e o epílogo de qualquer tipo de moral, encabeçando um encadeamento pela lógica de posturas em completa busca de esgotamento.<br />
Não há como não lembrar do filme <em>O Cheiro do Ralo</em>, baseado no livro homônimo de Lourenço Mutarelli. Ricardo tem o texto sob controle, habilmente urdido e equilibrado, para criar espaço e ambiente de um universo onde seus personagens vão se solavanco. É uma escolha difícil. Se o conselho de alguns editores é escrever ficção tendo um determinado tipo de público-alvo em mente, isso não significa que tal aconselhamento seja unanimidade. Não são todos os autores (e editores) que curtem muito a mesa-de-centro combinando com a moldura do quadro na parede.<br />
A incursão do personagem principal do livro, que ora responde pelo pseudônimo de Souza Capanema, mas quando inserido no mundo da pornografia ganha o apelido de Gervásio Vasconcellos, tem sob sua batuta o que as pessoas comumente chamariam de escória. Nesse universo, o ator pornô Aníbal, Bete, <em>Boca Aberta</em>, o <em>Judeu, </em>Tinky Winky e tantos outros personagens descortinam o caráter como elemento duvidoso, ora descartável, ora fisiológico. Aventura-se sem pensar muito em perdas, em danos, em efeitos colaterais. Uma alegoria onde qualquer semelhança entre a moral duvidosa e esquelética com a vida real seria apenas mera coincidência?<br />
Diante de um bom livro como <em>Um Brinde em Copos de Plásticos</em>, caímos no questionamento de alguns posts há meses atrás: qual o limite do <em>do-it-yourself</em>. A popularização dos métodos de impressão, o custo cada vez mais reduzido de se publicar um livro, não criaria uma faca no pescoço de editores e casas editoriais, uma abordagem muito mais por intimidação e constrangimento do que por qualidade do texto produzido? O custo cada vez mais reduzido de publicações não acarretaria numa enxurrada de textos sem a menor leitura crítica ou filtro qualitativo?<br />
Quem, no caso de filtro qualitativo, faria o trabalho sujo? Quem colocaria o polegar para cima ou para baixo feito um imperador no circo romano? E quais seriam esses critérios?<br />
Porque, até mesmo para vários editores e casas editoriais, o mesa-de-centro não tem que combinar com a moldura do quadro pendurado na parede da sala, em nome de certa oxigenação criativa que toda obra de ficção sempre deveria ter.<br />
A porca torce o rabo de vez quando colocamos, nessa rota, a parte mais interessada e interessante em todo esse sistema: o público leito. O sentimento de tristeza ao terminar a leitura de <em>Um Brinde em Copos de Plástico</em> pode se resumir em dois pontos: primeiro, essa enxurrada de novos autores e livros, por conta do custo reduzido de publicação (o que permite o autor bancar sua própria edição) torna o encontro feliz do leitor com uma obra como <em>Um Brinde&#8230;</em> uma tarefa cada vez mais difícil. É muita cortina de fumaça para se achar um bom texto como a ficção de Ricardo Carlaccio.<br />
Segundo: conhecendo a outra ponta, o público, fica cada vez mais difícil, na média santista e nacional, achar quem realmente passe da página 20 de <em>Um Brinde em Copos de Plástico</em>. Poderia se pensar num público mais jovem, mas, peraí&#8230; Achar que jovem não é <em>reaça</em> é um perigo daqueles. Ainda que o público jovem faça sua adesão à obra de Ricardo Carlaccio, o livro acaba se tornando uma espécie de <em>catecismo do Carlos Zéfiro:</em> para se ler escondido do pai, da mãe e da ala mais velha da família.<br />
Até por um simples detalhe: quanto mais a sociedade avança na tecnologia dos números e na ciência da eletrônica, pior a capacidade cognitiva do grande público em entender que ao longo das páginas de <em>Um Brinde em Copos de Plástico</em> nada mais temos que uma alegoria, como em boa parte das obras de ficção. Não há um entendimento do universo literário como mímese, ou uma espécie de simulacro onde o trabalho do leitor é se remeter a referentes.<br />
Já dá para ver que tanto autores quanto leitores estão sem bússola, sem seus <em>smart phones</em> com magnânimos <em>GPS</em>s. É uma quantidade considerável de gente <em>na roça.</em> E um bom livro como <em>Um Brinde em Copos de Plástico </em>sem o seu leitor.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturial.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturial.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturial.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturial.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturial.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturial.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturial.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturial.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturial.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturial.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturial.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturial.wordpress.com/279/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturial.wordpress.com/279/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturial.wordpress.com/279/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=279&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Balas zunindo</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Dec 2011 05:47:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[          Livro bom é o livro que te pega de surpresa. Aquele que você não esperava ser apanhado pelo intenso desejo de ler tudo num dia só, que vale uma noite de insonia.           Livro bom é aquele que faz você devorar página após página, aquele livro que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=273&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>          Livro bom é o livro que te pega de surpresa. Aquele que você não esperava ser apanhado pelo intenso desejo de ler tudo num dia só, que vale uma noite de insonia.</p>
<p>          Livro bom é aquele que faz você <em>devorar</em> página após página, aquele livro que não deixa você sossegado enquanto não chega à última página. Aquela história que sabe-se lá porque cargas d&#8217;água atrai a atenção do leitor do início ao fim. A construção da narrativa, dos personagens, o conjunto da obra é o suficiente para levar a ciência da teoria literária às favas.</p>
<p>          Esse, talvez, seja o problema: nem sempre o que seria considerado <em>livro bom</em> para a massa do público leitor é interessante ou do agrado da crítica literária, sempre muito ávida pelos desafios linguísticos de uma obra hermética, que quase sempre afastam o grande público do prazer da leitura ou das boas livrarias.</p>
<p>          Por sorte (e bota sorte nisso!), ainda temos os autores cuja preocupação é escrever para o público, seja ele quem for. Sem as preocupações de hermetismo (como citado no parágrafo acima), exibicionismo linguístico ou qualquer bossa que integre o(a) autor(a) em questão em algum <em>rol dos grandes nomes da literatura universal</em>. </p>
<p>          Egos postos de lado, é o caso do livro <em>Bala com Bala</em> do escritor paulistano-santista Márcio Callegaro. Se sua intenção é ler para se divertir, esse é o livro certo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturial.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturial.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturial.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturial.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturial.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturial.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturial.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturial.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturial.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturial.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturial.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturial.wordpress.com/273/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturial.wordpress.com/273/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturial.wordpress.com/273/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=273&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Brasil: o país do tambor.</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2011 03:16:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[          Que a língua portuguesa é uma língua de cultura, não gastemos tempo para provar o contrário. Pode gozar do mesmo prestígio do dinamarquês, do galês, do croata, do eslovaco. Isso são outros quinhentos. Que o Brasil produziu grandes nomes da literatura universal, também não gastemos muito tempo com isso. Um país que teve João Guimarães [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=20&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" title="Vamos bater bumbo" src="http://www.jblog.com.br/media/154/20100623-P6201330.JPG" alt="" width="189" height="154" />          Que a língua portuguesa é uma língua de cultura, não gastemos tempo para provar o contrário. Pode gozar do mesmo prestígio do dinamarquês, do galês, do croata, do eslovaco. Isso são outros quinhentos. Que o Brasil produziu grandes nomes da literatura universal, também não gastemos muito tempo com isso. Um país que teve João Guimarães Rosa não é um país qualquer quando se trata de literatura.<br />
          Mas, então, porque diabos o Brasil jamais teve um de seus autores laureado pelo prêmio Nobel de literatura? Se temos grandes escritores (como a internacional Clarice Lispector) e grandes obras literárias, porque vizinhos como Peru, Colômbia e Argentina já foram agraciados com tamanha honraria e nosso país ainda não?<br />
          É uma investigação muito complexa e, consequentemente, difícil. Qualquer coisa que se diga sempre ficará soando como pretensão, sempre uma análise incompleta e incorreta do que realmente somos. Para piorar: num processo constante de juventude e mudança coloca qualquer item que se discorra aqui como o mais fino exercício do palpite, da <em>orelhada</em>.<br />
          Lembro da 1ª Tarrafa Literária, numa mesa mediada por Vladir Lemos que contou com Xico Sá e Matthew Shirts, chefe de redação da revista National Geographic Brasil e hoje cronista da revista Veja. Uma observação pertinente de Matthew naquela mesa: literatura e leitura são atividades <em>para dentro, </em>são atividades em que os indivíduos podem executar de forma coletiva, mas nunca conseguem se desgrudar do caráter <em>solo</em> que esse ramo artístico possui. Em geral, quem lê o faz em silêncio. Pode até fazer em ambientes coletivos, como dentro de um ônibus, por exemplo, mas jamais trocando figurinhas com quem quer que seja. É uma atividade silenciosa, pessoal, quase íntima. Talvez a mais íntima das artes. É a mais básica dos métodos comunicativos, pois basta a vontade de um emissor e de um receptor, duas pessoas apenas, que 50% do evento já está bem encaminhado.<br />
<img class="alignleft" title="Tamborzinho" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/11/piclestamborfoto.jpg?w=127&#038;h=136" alt="" width="127" height="136" />          Segundo Matthew, uma espécie de contrasenso. Apesar de ter adotado o Brasil de coração, sua percepção de mundo ainda possui traços da terra-natal, os Estados Unidos. Talvez um lugar do mundo onde é bem improvável que um povo muito ruidoso (como é o caso do brasileiro) seja lá afeito a atividade tão íntima e silenciosa.<br />
          O brasileiro gosta de bater bumbo. Não há aqui qualquer sentido perjorativo na colocação. É uma fato cultural e pronto. O brasileiro é orgulhoso da sensualidade de seus corpos, do futebol que joga, de ser alegre e (ainda que seja uma baita de uma falácia) cordial, tranquilo e calmo. Um povo amigo e pacífico. Bastou três séculos de uma falsidade ideológica e o estrago está feito.<br />
          O Brasil é país onde as pessoas sabem viver bem. Da bossa-nova com lindíssimas mulheres desfilando na praia com minúsculos trajes de banho. País-Sorriso. Mais 50 anos insistindo nisso e o próximo prêmio Nobel para um autor de língua portuguesa vai parar em Angola ou Moçambique. E isso são olhos de quem nos vê do lado de fora. Inclusive dos suecos, logo eles, que, de uma forma ou de outra, decidem quem leva o prêmio ou não.<br />
          Dá até para imaginar a academia sueca reunida para decidir quem será o agraciado: <em>Prêmio Nobel para um autor brasileiro? Aaah&#8230; Não vamos perder tempo com isso&#8230;</em><br />
          Explicar para um intelectual sueco que não, não somos um povo bonzinho, que não sorrimos o tempo todo, que somos um povo violento pacas, que finge ser cortês e pacífico (historicamente, pergunte a um paraguaio), um lugar forradíssimo de favelas onde certamente a vida não é boa e se toca <em>funk carioca</em> ou <em>rap, hip-hop</em>, vai por mim, é trabalho de vulto.<br />
          Tentar fazê-los entender que tivemos Clarice Lispector, João Guimarães Rosa, que a lendária banda de rock Legião Urbana foi capaz de fazer um primor de canção como <a href="http://youtu.be/Fh1_bHq8JnI" target="_blank"><em>Feedback Song for a Dying Friend</em> </a>é a sutileza das sutilezas. Depois da porta arrombada, faríamos o que? Como reverteríamos o quadro nos mostrando forrados de selos e casas editoriais, tradutores, revisores, poetas, contistas, cronistas, de várias nacionalidades e matizes?<br />
          O que é pior (e isso, sim, é que mata e mostra o quanto não somos tão <em>bonzinhos</em> assim): não basta dizer que não gosta disso ou daquilo. Tem que bater forte, fazer pouco caso, humilhar. Não basta dizer que não gosta de <em>funk carioca</em>. Tem que bater pesado, fazer piada, botar abaixo de barata. E de preferência deixar bem claro que o <em>funkeiro</em> é um incivilizado, um pobre coitado, sem o verniz da erudição escolar e escolástica. Um juízo de caráter por conta do que canta, do conteúdo da obra. Não basta dizer que você não gosta do Paulo Coelho. O posicionamento precisa vir acompanhado de algum tipo de ataque frontal à pessoa do autor, seu caráter.<br />
          Diante disso, como fica a cabeça de um sueco? Como ele concede um prêmio Nobel de literatura para um autor de um país onde a própria cultura é aviltada e atacada, sem dó, nem piedade, pelos próprios agentes culturais e população em geral? Onde as pessoas não ficam somente no <em>gostei/não gostei</em>? Onde a obra em questão é usada para atacar a moral do autor dela?<br />
          <em>Id est</em>, já podeis, filhos da pátria, perceber que talvez sejamos um povo que não sabemos nos comportar de forma, no mínimo, razoável. E quem não se comporta direito, já sabem: fica sem a sobremesa. Não haverá, tão cedo, docinhos caramelados da geladeira depois do jantar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturial.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturial.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturial.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturial.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturial.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturial.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturial.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturial.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturial.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturial.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturial.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturial.wordpress.com/20/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturial.wordpress.com/20/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturial.wordpress.com/20/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=20&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Obrigações matrimoniais</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 04:07:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[          Acho engraçado isso: após assinar os papéis do casamento, no civil, se um dos cônjuges não cumprir com alguns dos itens lá relacionados, coisas acontecem. Desde o fim do contrato até coisa pior (uma sub-versão dele). Ninguém fica satisfeito, ninguém fica feliz. Entretanto, quando o assunto é mercado editorial, voltamos a ver fantasmas ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=192&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>          Acho engraçado isso: após assinar os papéis do casamento, no civil, se um dos cônjuges não cumprir com alguns dos itens lá relacionados, coisas acontecem. Desde o fim do contrato até coisa pior (uma <em>sub-versão</em> dele). Ninguém fica satisfeito, ninguém fica feliz. Entretanto, quando o assunto é mercado editorial, voltamos a ver fantasmas ao meio-dia e ouvir vozes depois das 22 horas.<img class="alignright" src="http://1.bp.blogspot.com/-b39WZUksmtM/TfK30ztxVwI/AAAAAAAABTY/TST64sGceSI/s320/contrato.jpg" alt="" width="156" height="203" /></p>
<p>          Deus é testemunha que sou um defensor do <em>do-it-yourself</em>. Se tem alguém que pensa e acha que o escritor não pode ficar refém de uma espera interminável para uma publicação, esse alguém sou eu. Do fundo do coração, sou tremendamente favorável que o autor procure a melhor maneira de viabilizar a publicação e/ou trazer sua obra para o público (seja qual for o tamanho). Apenas penso que isso deveria ter em sua raiz o bom e velho <em>for free and for fun</em>. Que isso deveria ser, acima de tudo, divertido para o autor e o público.</p>
<p>          Porém, quando a publicação é uma forma de dar vazão a egocentrismos distorcidos e pressionar um mercado com seus próprios códigos e procedimentos, seria bom o(a) escritor(a) em questão repensar um pouco sobre o que é (ou deveria ser) literatura.</p>
<p>          Vivemos tempos difíceis. Sei disso. Tempos que transformaram o então famoso e charmoso <em>marketing pessoal</em> em um cabotinismo sem par. Egos inflados e mentes doentes quase sempre são nitroglicerina pura. Vivemos tempos difíceis, eu sei. Tempos onde os meios dão uma enorme atenção a tudo que é <em>tóxico</em>. E, ainda por cima, tentam quase que a todo custo enfiar goela abaixo de que isto é um valor dos tempos modernos, de que isso é bom pacas.</p>
<p>          Publicar nada mais é do que levar ao público. Só isso. Não é a <em>tábua de salvação</em> de uma carreira, não é um <em>cafuné</em>, não é <em>prova-de-honra</em>, não é a defesa de uma tese que tenta provar que essa ou aquela pessoa é indispensável artisticamente.</p>
<p>          Quando <em>publicar </em>se torna uma mecânica de defesa a qualquer tentativa de edição, a deterioração atinge seu grau mais avançado. Simples: com as recentes possibilidades de prensagem em quantidades reduzidas, praticamente qualquer um pode publicar o que quiser. Se na primeira leva as duzentas cópias são vendidas, logo o público, um ente soberano, referendou a qualidade daquele(a) escritor(a). E partir desse ponto em diante, ai do editor que venha com qualquer tipo de sugestão nas obras seguintes.</p>
<p>          É o famoso <em>todo mundo quer ir para o céu, mas ninguém quer morrer</em>. Quem senta do outro lado da mesa acaba não curtindo muito esse tipo de postura. Casas editoriais costumam deter CNPJs, impostos a pagar e toda sorte de encargos vencendo mês após mês. É impossível um editor não pensar no texto como um produto a ser adquirido. Ainda que o pensamento esteja vibrando na mesma frequência de onda da qualidade artística de um texto, com tantas contas a pagar, fica complexo não considerar a viabilidade comercial de uma obra.</p>
<p>          Se o lance é<em> ser independente</em>, sejamos independentes <em>all the way</em>. Utilizar um eventual sucesso inicial como instrumento de pressão contra qualquer tipo de flexibilização é fazer de qualquer projeto primeiro e único. Certamente o editor não vai querer <em>repeteco</em>. Pensará duas vezes antes de partir para uma segunda empreitada na base da pressão.</p>
<p>          Simples: se determinado autor já vendeu suas duzentas, quatrocentas cópias, que permaneça no <em>do-it-yourself</em> e seja o que Deus quiser. Agora, uma vendagem nessas condições justificar um baita <em>tapete vermelho</em>, entrar na casa editorial pela porta da frente, onde vale sequer passar pelo processo de edição, sei não&#8230; Fica esquisito pacas. Isso sem contar a gigantesca legião de autores que não possuem uma leitura mais crítica do que fazem, aquele leitor mais atento que evita cochilos e viagens onde só o escritor goza. Mais ninguém.</p>
<p>          A possibilidade de publicação não deveria jamais ser uma massagem no ego. Deveria ser um ato de comunicação, um <em>contar uma história</em>. Ainda que solta em estética particular e elaborada, deveria ser uma celebração do e com o público, não um ato vazão de si próprio. Penso que não foi para isso (um ato de vazão de si próprio) que o livro foi feito. E livro nenhum oriundo de uma casa editorial foge à necessidade de se transformar num produto, ou desrespeita os códigos, ritos e convenções do que é chamado <em>mercado. </em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturial.wordpress.com/192/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturial.wordpress.com/192/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturial.wordpress.com/192/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturial.wordpress.com/192/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturial.wordpress.com/192/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturial.wordpress.com/192/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturial.wordpress.com/192/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturial.wordpress.com/192/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturial.wordpress.com/192/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturial.wordpress.com/192/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturial.wordpress.com/192/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturial.wordpress.com/192/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturial.wordpress.com/192/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturial.wordpress.com/192/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=192&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Escola de Escritores (ou as Letras Atrapalhadas)</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 23:35:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Elocubrações]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Teoria Literária]]></category>
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		<description><![CDATA[          Quis a sorte (ou o azar) de gostar de idiomas estrangeiros e bater com os costados na área de tradução. Vocação? Sim. Só que o prazer de trabalhar nessa área é maior do que a vocação. Jovem, 18 anos, não quis meter as caras na capital estadual, até mesmo porque não tinha onde cair [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=162&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/08/letras_embaralhadas.jpg?w=150&#038;h=110" alt="" width="150" height="110" />          Quis a sorte (ou o azar) de gostar de idiomas estrangeiros e bater com os costados na área de tradução. Vocação? Sim. Só que o prazer de trabalhar nessa área é maior do que a vocação. Jovem, 18 anos, não quis meter as caras na capital estadual, até mesmo porque não tinha onde cair morto (não que hoje em dia esteja absurdamente diferente, mas minha atividade como professor de inglês na época custeava a faculdade sem sobrar muito sequer para o guaraná). Não, não nasci em berço esplêndido.</p>
<p>          E, assim, começou a viagem pela técnica dentro da arte. Linguística, linguística aplicada a ensino de idiomas, linguística aplicada à tradução, teoria da literatura, literatura comparada, literatura portuguesa, literatura brasileira, literatura inglesa, literatura norte-americana, técnica e teoria de tradução, monitoria, livros, livros e mais livros. O curso estava bem no início e nossa sala de aula ficava na biblioteca central, numa salinha, uma espécie de aquário.</p>
<p>          Quando faltava uma ou outra professora, enfiávamos a cara nos livros. De Woody Allen à Noam Chomsky, de Dionélio Machado à Shakespeare. Dois anos dentro de uma biblioteca. Livros, livros, livros&#8230; Antônio Candido, Herald Bloom, Saul Bellow, Balzac, Eça&#8230; Até a versão em quadrinhos de <em>A Queda da Casa de Usher</em>, de Edgar Allan Poe, a gente lia. Ainda que preferisse as heroínas de Millo Manara.</p>
<p>          Quatro anos dentro de um curso de Letras traz uma garantia: não há consenso. Se a humanidade até hoje enfrenta seríssimos problemas para o estabelecimento de um juízo estético fácil, ágil, amplamente aplicável, seguro, definitivo e perene, o que dizer quando me fazem a pergunta: <em>o que é literatura? O que é </em>literário<em>? O que é e o que faz um escritor ser um escritor? Qual o elemento fundamental que torna aquele ser humano </em>escritor <em>e os demais não?</em></p>
<p>          O que faz um relato (comum em textos de grandes reportagens, no texto jornalístico) não ser considerado <em>literatura? </em>Por que somente o texto denso pode ser considerado <em>literatura </em>e um outro mais simples, bem mais raso, não? Qual é o juízo estético que norteia o que é <em>literário </em>ou não? Qual(is) o(s) elemento(s) que concretamente provam que um determinado livro é <em>literário</em>? Crônica não é literatura? Ensaio não é literatura? <em>Macbeth</em>, de Shakespeare, sim; <em>Fazenda Modelo</em>, de Chico Buarque, é excrescência?</p>
<p>          Um dos grandes teóricos da tradução que o mundo já produziu foi Eugene Nida. Não, caro(a) leitor(a), ele não fez quatro anos de bacharelado em Letras ou Tradução. Ele simplesmente comandou equipes e mais equipes que traduziram os evangelhos. Seria ele um tradutor? Ou não, porque traduzir os evangelhos não vale? Só valeria se tivesse traduzido Joyce. Sim? Não?</p>
<p>          Fico imaginando o Ministério do Trabalho só permitir escritores com diploma de Letras. Imagino Balzac nas carteiras de uma faculdade para se tornar um escritor (ou pelo menos ter permissão para). Já adianto uma coisa para você, meu/minha caro(a) leitor(a): a literatura seria um troço chato pacas. Literatura com carimbo do MEC. Sei lá, perde o ímpeto, sabe?</p>
<p>          A graça do negócio está na diferença. Entre o frio e o quente, entre o raso e o profundo, entre o simples e o sofisticado, entre a ficção e a não-ficção. Há todos os tipos de leitores, há todos os tipos de escritores, há todos os tipos de livros, há todos os tipos de literatura e escolas literárias. Há pessoas mais talentosas do que outras? Há. O problema é estabelecer um índice de talento e competência quando o assunto é arte. Mas há um cenário pior: mesmo sem um consenso em torno de um juízo estético, você, meu/minha caro(a) leitor(a), perder seu livre-arbítrio de se mover por causa de um livro que você quis ler ao se deixar guiar pelas primeiras posições do <em>tal </em>índice de talento e competência.</p>
<p>          Portanto, meu/minha caro(a) leitor(a), relax. <em>Take your time. </em>Pegue o livro de sua preferência, aproxime-se do autor que você mais gosta e aproveite o resto dos dias que ainda lhe resta.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturial.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturial.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturial.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturial.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturial.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturial.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturial.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturial.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturial.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturial.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturial.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturial.wordpress.com/162/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturial.wordpress.com/162/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturial.wordpress.com/162/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=162&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um café com Ariel in paradisum panis</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Aug 2011 07:20:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><em><img class="alignright" title="Não, Ariel, não é café-com-leite!" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/08/caf_penult.jpg?w=225&#038;h=169" alt="" width="225" height="169" /></em></p>
<p><em>          </em>Não, Ariel. Não me deixe escolher a padaria onde beberemos café. Vamos naquela de sempre, que responde pelo pomposo nome de <em>Paradisum Panis</em>, no meu parco e ridículo latim. <em>Ridere</em>, lembra?! Aquela padaria que fecha mais tarde do que as demais, com aquelas cadeiras cibernéticas de alumínio, frias, onde o café é humilíssimo diante daquela variedade de licores. Desvio de função? Não, Ariel. O pão está lá, naquele preço de sempre, bem diferente da água que custa os olhos da cara, aquela cerveja que está pela hora da morte.</p>
<p>          Não, Ariel. Amar uma mulher <em>até o osso</em>, lamento. Só se ela deixar. O relacionamento é a seara de qualquer fêmea. Elas mandam. Não vá pensando que você vai chegar lá com toda sua ginga e vai cavá-la até chegar no fêmur, no ilíaco. Se ela deixar, bem. Caso contrário, amém. Volte para casa e abra o seu livro. Mas, por favor, <em>Crítica da Razão Pura</em>, não&#8230; O absenteísmo dos princípios metafísicos da doutrina da virtude é que assolam nosso sonho de arte, nossa utopia da escrita artística. Como? Não, não, essa mania do brasileiro falar francês. Já te falei para esquecer metafísica em língua neolatina. O que pega é a de língua anglo-saxonica, germânica, nórdica. Aquela que não conseguimos sequer pronunciar o nome direito.</p>
<p>          Você sabe por que ele não tem tradição? Porque ele não tem utopia. Simples: não se sai do ponto A sem tentar chegar no ponto B. A curtição é o trajeto do passeio. Não, Ariel, presta atenção: as possibilidades, xará, as possibilidades!   Chatice seria todo mundo igual. Cada um deita na cama que tem em casa. É o que temos para hoje. Do que me adianta uma belíssima mesa de mármore para deitar em cima? Caixão não tem gaveta e mortalha não tem bolso. Se ele não tem tradição, problema é dele. Nosso é que não é&#8230;</p>
<p>          Assim, dúvido que você pagasse mais do que dez mil por um texto inédito de um autor desconhecido. Se Dostoiévski ganhou isso por uma obra-prima, há de se considerar que aquela era a primeira vez que ele conversou com seu editor. Ninguém ganha glória de uma peça artística <em>a priori. </em>Pára e pensa: todo mundo que hoje deita sobre os louros do júbilo já foi um tremendo desconhecido. Concordo, xará, concordo. Tem gente reivindicando Balzac e cobrando o dinheiro do busão (quando cobra). Ah, mas, aí, teria de rolar uma reserva de mercado, regras para que a categoria não queime o filme.</p>
<p>          O que eu acho engraçado é essa da ética vir antes da estética. Você não está nem aí para um juízo estético e agora quer que os demais se valorizem? Então, xará, pau que bate em chico bate em francisco. Essa de jogar para escanteio o leitor é uma furada gigantesca. Blanchot nem olha para a cara dos tradutores. É o precursor do <em>Google translator</em>.  Isso aqui é jogo: eu construo daqui, você constrói daí. Leitor dá a letra do outro lado da obra, dobra o vergalhão, calcula o concreto. Deus pai: a flecha atinge o alvo. Se o sujeito e objeto ficaram do lado de dentro, o fora é neutro. Ou seria o contrário? O duro é explicar isso para quem abre o livro e começa a degluti-lo. <em>Olha, nada desse negócio de sujeito&#8230; Vai fazer coisa errada.</em></p>
<p><em><img class="alignleft" src="http://static.photaki.com/Copa-do-livro-de-cafe-e-abre-333674.jpg" alt="" width="150" height="100" /></em></p>
<p><em>          </em>Juro, xará, juro. Virei o livro da Tatiana do avesso, de ponta-cabeça. Não achei um Hume, um Humezinho sequer. Ah, não. Não vem com essa, não. Eu sei que ele é poeta, mas se vai enveredar nessa de teoria literária é melhor fazer o <em>trem </em>direito. É de um empirísmo sem par e nenhuma reverência? Quer falar do imaginário e nem aí para a imagem? Não, Ariel, já te falei que não há nada por detrás da imagem. Aquilo é signo, não é a coisa em si. Eu sei, não existe uma anterior a outra. Só que o grande pecado dos nosso tempos é achar que Saussure é cartilha de estudante de Letras. Não passa disso. Pois é, xará, veja o senhor: sem entender o signo linguístico, não sai nada do lugar. Essa mania que as pessoas têm em achar que o signo linguístico não vale para os demais. Então, olha só: o signo linguístico é arbitrário e convencional. E ainda teve a pachorra de colocar o leitor para escanteio. Como é que fica? Não, sou que estou te perguntando, como é que fica?</p>
<p>          Ah, sim, mas repare: o neutro é o sujeito e o objeto devidos. Percebe? Só que precisa combinar com os russos. Combinaram com os russos? Esses caras vão me deixar maluco! Mais do que eu já sou. Só que não posso escrever por fora e o leitor fica com aquela cara de <em>meu conjuge saiu para comprar cigarro na eleição do Juscelino e até agora não voltou.</em> O leitor fica com a idéia e vai intensificando até voltar a ser inegociável. Fossilizado, sabe?</p>
<p>          É por isso que eu te digo, xará: vamos fazer força para que a conta feche? Porque se voltar a ser impressão, meus pêsames. Ele fecha o livro na página trinta e sai por aí a maldizer um esforço. <em>Poesia não é catarse</em>. Aleluia! Vai cair pedaço em dar uma olhadinha no quintal do vizinho e ver o que outros anteriormente já falaram sobre esse assunto? A questão não é que ele não citou. O problema é que ele o ignorou. Não, Ariel. Ele se universalizou daquele jeito, como você mesmo disse: um rascunho. Mal engendrado pacas! Ele agora é kantianamente uma forma. É um processo quase irreversível. <em>Inês é morta.</em></p>
<p><em>          </em>Não, Ariel, há a possibilidade do autor escolher em que estado quer ficar. Age por convicção de uma crença. Se pedir para rever, ou revisitar, vai dar uma de distraído e dizer que não é com ele. Foi o doutor delegado que disse que se esse lance do neutro libertar a linguagem, vai levar todo mundo para a averiguação. Não, Ariel, vai sobrar para a linguagem. O patamo-mór me garantiu ser mister enquadrar a pobrezinha por ininteligibilidade.</p>
<p>          Não, Ariel, só tenho dois reais. Ruim de troco aí? Só um instantinho, deixa eu ver se tenho alguma moeda aqui. Olha, por tudo quanto é mais sagrado, não acreditei quando você me disse que essa mochila é a extensão do seu corpo. Maravilha! Já vi que ela também vai para debaixo do chuveiro pelo jeito.</p>
<p>          Então, essa parada do <em>Mandarim </em>é uma boa, viu? Acho que estou nessa. Vê direitinho como é que vai ficar e a gente conversa mais lá na frente. E se liga que <em>até o osso </em>é evento de vulto, entendeu? Se vai dar a maior mão de obra, o mínimo que estou a fim é de conforto. Sinceramente, não vou ficar de gaiatice em pedra de arrebentação, principalmente nesse frio que está fazendo. A gente se fala.</p>
<p>          Um abraço!</p>
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		<title>Eu podia estar roubando, eu podia estar matando.</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Aug 2011 03:40:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_137" class="wp-caption alignright" style="width: 112px"><a href="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/08/51-mindicamentos.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-137" title="51 Mendicamentos" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/08/51-mindicamentos.jpg?w=102&#038;h=150" alt="" width="102" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;51 Mendicantos&quot;, de Paulo de Toledo</p></div>
<div class="mceTemp">          Um dos grandes atrativos da áspera vida nas cidades é a fauna, o conjunto de júbilos, gozos e misérias humanas. A vida no campo é muito melhor, mais tranquila, o ar mais puro, temos mais verde. O que sobra nas cidades são as histórias que não deram certo. Vale, então, aquela velha máxima de que <em>a história é sempre contada por aqueles que venceram</em>. Nem sempre. O poeta santista Paulo de Toledo, um poeta observador, aquele observador com o olho curioso, recria a figura urbana do <em>mendigo</em> em sua obra <em>51 Mendicantos</em>. Não. Não há aqui um corte profundo que nos identifique com os mendigos, nem tampouco um ordenamento meio na base da <em>autópsia</em> do que deu errado na vida dessas pessoas. Também não há uma tentativa de entender o que é um mendigo, como pensa, porque chegou naquele estado. Se a busca for por <em>mandamentos</em> da mendicância, é bom tirar o cavalinho da chuva igualmente. Aqui se trata de como a imagem de um ser em sofrimento pode recriar um espaço imaginário a partir do olho de quem vê.</div>
<div class="mceTemp">          E Paulo de Toledo não economizou observação e imaginação para reconstruir um universo que, quase sempre, nos passa completamente desapercebido. De fato, num primeiro momento o <em>trem </em>acaba soando estranho pacas. Mas é surpreendente ver um poeta deitar os olhos nessa figura humana sempre associada a um sabor de derrota, de fracasso. Essa imagem de um homem vencido pela estranheza dos códigos urbanos, dos códigos sociais, ligado a inaptidão de se adequar a costumes que até mesmo nós (não mendigos) questionamos sua validade, seu sentido.</div>
<div class="mceTemp">           A primeira leitura da obra de Paulo de Toledo deixou em minha boca um leve e imperceptível sabor de <em>traquinagem</em>. Sabe aquele garoto traquinas que escarnece do mendigo, que lhe atira coisas, só por passatempo, molecagem? Sabia que minha primeira leitura era um equívoco grande demais para continuar nela. Releitura, releitura, releitura&#8230; E depois achei a imaginação a serviço do registro de um personagem das cidades tão de carne-e-osso quanto todos nós. <em>People we despise</em>.</div>
<div class="mceTemp">          Se Paulo de Toledo corrige esse equívoco, tinha de corrigir meu equívoco de uma primeira impressão tão rasteira, parca, fraca, débil. E descobri a figura do mendigo como um ser sentimental, racional, emocional, embutido na invisibilidade por nós produzida, essa invisibilidade deplorável de não enxergar os seres que nos cercam exceto pelo que mostram, ostentam, induzem, pelo que vestem, dirigem, pelo lugar onde moram, pela poupuda conta bancária.</div>
<div class="mceTemp">          <em>51 Mendicantos </em>definitivamente é um livro onde o preconceito foi jogado fora, passa longe. Lá temos o mendigo, o herói desses poemas, como a mais fina, pura e cognoscível <em>persona </em>poética. Paulo de Toledo teve a felicidade de confir-lhe a autoridade artística, um posto que não fica nas mãos do autor, mas que transitoriamente termina na personalidade frágil, exposta e dependente de tudo que um mendigo possa ter.</div>
<div class="mceTemp">          Sim, o mendigo de Paulo de Toledo possui ideal estético capaz de sensibilizá-lo ao que Immanuel Kant chamou de <em>a forma da conformidade a fins de objeto</em>. O mendigo a vê, e a ela é atraído, sem rodeios, sem protocolos de uma vida urbana débil, cheia de pífias idéias de ordem, que nada mais faz do que tolher brutalmente a sensibilidade de qualquer <em>persona </em>poética (ou artística).</div>
<blockquote>
<div class="mceTemp"><strong>nem tudo são flores</strong></div>
<div class="mceTemp"> </div>
<div class="mceTemp">com o cacete o guarda dá no pé do ouvido</div>
<div class="mceTemp">do mendigo que brincava comovido</div>
<div class="mceTemp">de bem-me-quer com uma flor do município</div>
<div class="mceTemp"> </div>
<div class="mceTemp">(TOLEDO, Paulo de. <em>51 Mendicamentos</em>, ilustrações de Sandro Saraiva. Porto Alegre, Editora Éblis, 2007.)</div>
</blockquote>
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_142" class="wp-caption alignleft" style="width: 109px"><a href="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/08/paulo-de-toledo-literaturial2.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-142" title="Paulo de Toledo Literaturial" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/08/paulo-de-toledo-literaturial2.jpg?w=99&#038;h=150" alt="" width="99" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">O poeta e escritor Paulo de Toledo</p></div>
</div>
<div class="mceTemp">
<div class="mceTemp">          Três versos em cada <em>Mendicanto</em> e a figura do mendigo completa seu desfile pelas questões humanas de uma subserviência pecuniária e tecnológica que expõe o ser humano a sua própria rugosidade feito um ralador de carne. O mendigo luta. Universaliza-se pelo ponto de intersecção com o leitor: a alma, o sopro, a elevação da arte, do artístico. Desde que o leitor não esteja impregnado pela aparência e não fique a abraçar o que lhe exposto. Um leitor que vai muito mais além do que os olhos apreendem. </div>
<div class="mceTemp">           Diferente de <em>Poesia é Não, </em>de Estrela Leminski (onde o poema é perpassado mais pela emoção do que pela imagem), <em>51 Mendicantos </em>uniria David Hume e Maurice Blanchot no que tange a <em>imagem &amp; imaginário </em>se ambos não fossem um tanto descontinuados em relação à imagem. Se para Hume tanto a <em>impressão</em> quanto a <em>idéia</em> se diferenciariam em relação a sua <em>intensidade</em> (a <em>impressão</em> é mais forte, portanto, inegociável), é na imagem em que elas se baseiam num primeiro contato com o objeto de nossa contemplação. Mas sem nada por trás desse objeto. É na inegociabilidade da <em>impressão</em> que arrefecemos sua intensidade e a tornamos <em>idéia</em>. Mas sem a loucura de acreditar que haja algo <em>por trás</em> do signo que invada nossa visão.</div>
<div class="mceTemp">          Prudente Blanchot ter mantido a distância necessária entre o signo e a coisa real. Ainda que afirme na simultaneidade entre objeto e imagem, não correu o risco de alegar pesos iguais para ambos. Apenas afirmou que um não vem desassociado do outro. Meu único descontentamento com Blanchot vem com a não abordagem empírica da imagem (<em>impressão</em> &amp; <em>idéia</em>) e com a não contemplação do caráter arbitrário e convencional do signo linguístico indicado por Ferdinand de Saussure, o que acaba tirando da jogada o(a) amado(a) leitor(a) num processo palimpsesto, de conclusão de um ciclo cognitivo. Mas isso é uma história para um outro por do sol&#8230;</div>
<div class="mceTemp">          Se para Blanchot a imagem é uma outra possibilidade do ser, é na <em>idéia</em> (Hume, o arrefecimento da <em>impressão</em>) que o poeta Paulo de Toledo recria um espaço literário onde as palavras e expressões em língua inglesa presentes em <em>51 Mendicantos</em> conota a sofisticação de uma tralha técnica, científica e tecnológica capaz de excluir esse ou aquele por situação finaceira e inadequação adaptiva em mundo sem explicação e sem sentido.</div>
<div class="mceTemp">          A <em>idéia</em> de quem é o mendigo presente em seus poemas faz com que Paulo de Toledo corrobore a autoridade de <em>persona</em> poética, sem cair no perigoso apelo de transformá-lo num herói virtuoso. A <em>idéia</em> dessa imagem recria o espaço literário e a palavra literária (Blanchot) para intensificar a força dessa <em>idéia</em>, tornando-a impressão dentro desse espaço e, consequentemente, inegociável outra vez.</div>
<div class="mceTemp">          Paulo de Toledo, assim, reforça sua opção mais empirista em <em>51 Mendicantos</em>, mas com a singela cumplicidade de seu(ua) leitor(a). Transforma-o(a) não num(a) interlocutor(a), mas numa testemunha dos passos errantes do mendigo, em sua jornada, em sua epopéia de respirar simplesmente. Dá um passo além de Blanchot por não ignorar o(a) leitor(a) como integrante de relevância dentro de um ciclo comunicativo, de reconhecimento, de entendimento. A notícia de que o ser ao seu lado existe. Com todas as suas complexidades imateriais.</div>
</div>
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		<title>O viço do suporte formal (ou &#8220;Poesia não é catarse&#8221;)</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 05:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esses dois elementos estão intimamente unidos e um reclama o outro. Quer busquemos o sentido da palavra latina arbor, ou a palavra com que o latim designa o conceito &#8220;ávore&#8221;, está claro que somente as vinculações consagradas pela língua nos parecem conformes à realidade, e abandonamos toda e qualquer outra que se possa imaginar. Esta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=123&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote>
<div id="attachment_130" class="wp-caption alignright" style="width: 128px"><a href="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/07/poesia-e-nao.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-130" title="Poesia e Nao" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/07/poesia-e-nao.jpg?w=118&#038;h=150" alt="Poesia é Não" width="118" height="150" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Poesia é Não&quot;, da escritora e compositora Estrela Ruiz Leminski</p></div>
<p><em>Esses dois elementos estão intimamente unidos e um reclama o outro. Quer busquemos o sentido da palavra latina </em>arbor, <em>ou a palavra com que o latim designa o conceito </em>&#8220;ávore&#8221;, <em>está claro que somente as vinculações consagradas pela língua nos parecem conformes à realidade, e abandonamos toda e qualquer outra que se possa imaginar.</em></p>
<p><em>Esta definição suscita uma importante questão de terminologia. Chamamos </em>signo <em>a combinação do conceito com a imagem acústica: mas, no uso corrente, esse termo designa geralmente a imagem acústica apenas, por exemplo, uma palavra (</em>arbor, <em>etc.). Esquece-se que se chamamos </em>arbor <em>signo, é somente porque exprime o conceito &#8220;árvore&#8221;, de tal maneira que a idéia da parte sensorial implica a do total.</em></p>
<p><em>A ambiguidade desapareceria se designássemos as três noções aqui presentes se por nomes que se relacionem entre si, ao mesmo tempo que se opõem. Propomo-nos a conservar o termo </em>signo <em>para designar o total, e a substituir </em>conceito <em>e </em>imagem acústica <em>por </em>significado <em>e </em>significante; <em>estes dois termos tem a vantagem de assinalar a oposição que os separa, quer entre si, quer do total que fazem parte. Quanto a </em>signo, <em>se nos contentamos com ele, é porque não sabemos por que substituí-lo, visto não nos sugerir a língua usual nenhum outro&#8221;</em></p>
<p>(SAUSSURE, Ferdinand de, <em>Curso de Linguística Geral.</em> São Paulo, Ed. Cultrix, 2006, p. 16-17)</p></blockquote>
<p>Pela primeira vez, enveredo pela poesia. Meu contato com a poesia foi escolar e acadêmico. Por força de um curso de Letras, a poesia estava presente. Por paladar, poesia para mim era Castro Alves e estamos conversados. Até que encontrei outros poetas ao longo da vida: Ferreira Gular, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Vicente de Carvalho, os irmãos Campos, Mário Quintana, Manoel Bandeira, e tantos outros cuja minha falha de memória certamente cometerá uma tremenda injustiça.</p>
<p>Apesar da minha falta de jeito, tenho mantido contato com novos autores, em especial os daqui da cidade. Cada um com sua característica, com sua peculiaridade, com seu talento, com sua marca, com seu sabor especial. Graças a Deus, Santos em termos de poesia não é um rol de nomes cujo trabalho apresenta qualquer sinal de uniformidade. A poesia em por aqui, nesses tempos atuais, certamente não é monocromática. A variabilidade de matizes talvez seja a principal marca do cenário poético santista.</p>
<p>Abrindo essa incursão num terreno que domino muito <em>mal e mal</em>, fui apresentado a <em>Poesia é Não</em>, da escritora e compositora Estrela Ruiz Leminski, num sábado de autógrafos na Realejo Livros. Téo Ruiz, marido de Estrela, é santista também. No <em>sobe-e-desce</em> da vida, com a necessidade de proximidade com a capital São Paulo, mas sem perder a qualidade de vida para filhos ainda pequenos, veio o casal a habitar o litoral paulista. A cinco horas de carro da capital curitibana, diríamos que Téo e Estrela fundaram o eixo <em>Curitiba-São Paulo</em>, passando por Santos.</p>
<p>Como toda cidade de porto é meio que uma <em>cidade de passagem</em>, Téo e Estrela vieram passar algum tempo nesta modesta cidade dos mares do sul. Uma parte da vida que passa e não podemos contê-la. Como diz o querido Renê Ruas, <em>segue o bonde&#8230;</em></p>
<p>Ferdinand de Saussure, um franco-suíço de sagaz investigação da língua, da linguagem e do signo linguístico, deixou uma obra póstuma (organizada por seus alunos e seguidores da Universidade de Genébra) chamada <em>Cours de Linguistique Générale</em> (o Curso de Linguística Geral), meio cartilha ou livro de cabeceira de quase todo estudante de Letras. Iniciei esse <em>post </em>com uma parte do livro onde ele introduz o signo linguístico, do que ele é feito, de sua relevância para o pontapé inicial da linguística como estudo científico.</p>
<p>Se o signo linguístico é feito de significante e significado (introduzido por Saussere como <em>imagem acústica </em>e <em>conceito</em>, respectivamente), o significante passou pelo resto do século XX como sendo um objeto de apreciação e, assim sendo, de acordo com Immanuel Kant  ( Königsber, 22 de abril de 1724 &#8211; Königsber, 12 de fevereiro de 1804), matéria do conceito. Nascia, assim, o entendimento do significante que também incluía o suporte formal.</p>
<p>Na linguística, o suporte formal nada mais é do que um formato físico do significante, o ato de grafar. A caneta deslizando sobre uma folha em branco, executando um determinado percurso, deixa como resultado apenas uma quantidade de tinta sobre o papel. Nada mais. Por conta do desenho do percurso sobre a folha, o leitor insere, num primeiro momento, o que Saussure chamou de <em>imagem acústica</em>, o <em>significante</em>. O que chamaríamos de entendimento do que aquele desenho representa. Posteriormente é que o leitor trabalha com o <em>conceito</em>, o significado, que, no caso da poesia, também perpassa por questões de morfossintaxe e estilística.</p>
<p><em>Poesia é Não</em> levou-me a esse reencontro com Saussure. É uma obra que depende da <em>tinta no papel</em>, seu formato, seu percurso, sua disposição na folha do livro. A comunicação visual do suporte formal, ora amparando significante e significado, ora se opondo aos dois. É o apoio e o contrasenso. Claro que não há grandes novidades nisso que estou dizendo. Os concretistas faziam isso há décadas atrás. Não se trata aqui da <em>invenção da roda </em>ou algo semelhante. A diferença aqui se deve a marca que Estrela Ruiz Leminski deixa em sua poesia: de que o suporte formal pode ganhar novo sopro.</p>
<p>Jamais tinha imaginado que o suporte formal pudesse sofrer a condução de quem marca a folha de papel (hoje em dia, substituída pela tela em branco dos editores de texto, computadores). Estrela conseguiu desenvolver a inserção de si a partir do suporte formal. Pelo suporte formal de <em>Poesia é Não, </em>é possível encontrar os indícios de um modo de vida, de uma geração. Isso me pegou meio de calças curtas. Como técnico, o sopro estaria muito mais num campo sintagmático do que num simples suporte formal. Rodeio suíno: montei num porco.</p>
<p>Sendo o suporte formal uma <em>quantidade </em>x de tinta sobre papel, jamais tinha me preocupado com qualquer traço de presença de quem desenhou o percurso daquela tinta, o grafar do escritor. Não cabe aqui, igualmente, ser pego de surpresa com a capacidade comunicativa do suporte formal. Só não tinha imaginado que a partir dele conseguiria enxergar a marca de uma geração. Uma geração que aprecia e admira o academicismo, mas não é escrava dela. A possibilidade de intuir o academicismo sem escancará-lo, seja de forma proposital ou despretenciosa.</p>
<p>E tudo isso a partir do suporte formal. É a técnica sem conhecer a técnica. É a técnica quase inconsciente que pega de surpresa quem a domina. É a hora <em>de cair do cavalo</em>. É muito mais o toque das imagens do que a explosão de um racionalismo instrumental. Empírico em seu conteúdo por <em>validar </em>o conhecimento da vida pela experiência dos sentimentos. Razão pura por transmitir isso dentro de uma forma que consegue universalizar o que, em muitas vezes, passa despercebido. Ainda que essa seja a função de qualquer poeta, não imaginei em vida me deparar com a possibilidade de que o suporte formal pudesse ganhar viço novo. Ou que esse viço novo pudesse indicar aos leitores uma marca geracional.</p>
<p>Íntima da música, Estrela Ruiz Leminski carrega para a poesia de <em>Poesia é Não</em> aquilo que Sausurre chamou nos primeiros anos da década de 1910 de <em>imagem acústica</em>. Ainda que eu faça aqui o pecado de uma interpretação totalmente sem pé, nem cabeça, do que realmente Saussure quis dizer com <em>imagem acústica</em>, por conta dessa intersecção com a música (um ponto de convergência), Estrela conseguiu <em>pegar na veia </em>ainda que ela não tenha se apercebido disso. É a técnica sem conhecer a técnica. É a técnica a serviço da emoção, dos <em>ritos de passagem</em>.</p>
<p>Se o poeta Paulo de Toledo imprime em seu conteúdo o que os olhos vêem, seu cunho de observação das imagens, o que David Hume (Edimburgo, 07 de maio de 1711 &#8211; Edimburgo, 25 de agosto de 1776) chamou de <em>impressão</em> (algo inegociável primeiramente, mas que, perdendo a intensidade, torna-se <em>idéia</em>), Estrela Leminski não se resguardou na imagem para a sua <em>impressão</em>. Sua <em>impressão </em>não conta somente com a observância de algo, mas como esse algo, a partir de seus sentidos, abriu e fossilizou o caminho dentro de si (naquilo que Sigmundo Freud (Pribor, 6 de maior de 1856 &#8211; Londres, 23 de setembro de 1939), no seu primeiro estudo psicanalítico, sobre o aparelho psíquico, chamou de <em>hábito</em>).</p>
<p>Estrela Leminski conseguiu, a partir da possibilidade do suporte formal ganhar viço novo, expressar uma geração. Uma geração que flerta com a necessidade de uma <em>psique </em>mais apaziguada, mas que pode, com a <em>psique </em>não apaziguada, dizer a que veio. Deixar marcas, heranças de possibilidades.  De se apoiar, nessa busca da essência, na permissão de não apaziguar a <em>psique,</em> operando como um fomento de criação. A chegada do novo<em>. O novo sempre vem</em>.</p>
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		<title>Um café com Ariel</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jul 2011 22:17:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Rayel</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignright" style="width: 170px"><img title="O poeta e escritor santista, radicado em Cubatão, Marcelo Ariel" src="http://literaturial.files.wordpress.com/2011/07/zr0q3ba.jpg?w=160&#038;h=213" alt="O poeta e escritor santista, radicado em Cubatão, Marcelo Ariel" width="160" height="213" /><p class="wp-caption-text">O poeta e escritor santista, radicado em Cubatão, Marcelo Ariel</p></div>
<p>Vivemos sempre alternando. <em>Day in, day out</em>. <em>Bola tem, bola não tem. </em>As memórias valem tanto para momentos bons quanto para os ruins. O que escrevo aqui é raso, eu sei. <em>Clichê</em>, parca elaboração. Sábado passado foi um desses momentos felizes. Virei poesia. Olhos de poeta são assim mesmo. Sei lá, a visão além do alcance. Jamais me vi na posição, situação ou essencialmente poesia, <em>sim</em>! Foi uma prazer conhecer o Téo. Foi um prazer conhecer a Estrela. Não sei, posso estar me precipitando. Mas acho que finalmente encontrei uma escritora que não vê fantasmas ao meio-dia<em>. Poesia não é catarse</em>, viu cambada!</p>
<p>Não sei se é porque saí do buraco, mesmo que aos poucos, mesmo que aos trancos e barrancos. Uma recuperação lenta, gradativa. É bom encontrar pares. Os pares que me ajudam no meu reencontro. A percepção dolorosa de ter desperdiçado o que de bom havia em mim por conta de algo que só fui ter algum tipo de noção depois. É ótimo ter noção das coisas aos 20 anos. Porque aos 40, vale a máxima do <em>antes tarde do que nunca</em>. O problema é que nessa altura do campeonato, a minha agenda não é mais minha. Ficou presa no corpo que tenho. Só ele pode determinar o que eu realmente posso gostar de fazer.</p>
<p>Fazia tempo que não conversava com artistas como se estivesse na sala de casa, ou numa varanda de uma casa de campo, nas montanhas. Estávamos. A uma quadra da praia. A maresia bateu no nariz. Enfim, fazia tempo que eu não tinha interlocutores tão alegres quanto eu nesse último sábado. Guardei o sábado. Definitivamente. Esse e tantos outros. E acho que esse último sábado também me guardou. Eu, o Téo, a Estrela e o Ariel.</p>
<p>Ao final do lançamento de <em>Poesia é Não</em>, da Estrela Ruiz Leminski, veio o xará e me convidou para um café. Antes, recarregar os créditos do celular dele nas Lojas Americanas. Para aqueles que eventualmente colocam escritores e artistas em geral num pedestal quase sempre inverossímel. Voltamos pela Marechal Deodoro e lá na esquina com a Praça Fernandes Pacheco, achamos uma padaria quase perto de fechar. Invadimos. Importunamos os funcionários com duas inconveniências: nossos pedidos (um café puro e um pedaço de bolo de chocolate para mim, um café com leite para Ariel) e nossa incursão pela metafísica.</p>
<p>A ambição do poeta é a utopia? Ou seria o impossível? Pois houve felicidade numa discussão sobre metafísica, porque é ambição de Ariel a fusão da metafísica com a poesia. Como poesia é de meu paladar, mas não de minha especialidade, até achei que isso já havia acontecido. Fiquei ressabiado. A poesia já não se fundiu com a metafísica? Jurava que tal efeméride era coisa do passado.</p>
<p>O filósofo francês Gilles Deleuze (Paris, 18 de janeiro de 1925 &#8211; Paris, 4 de novembro de 1995), dizia que sua discordância com Kant vinha exatamente de sua admiração, aquela admiração do deslumbre. Segundo Deleuze, Kant foi o primeiro filósofo que entendeu o tempo não como uma cadeia circular infinita, de ciclos que começam e terminam, começam e terminam, começam e terminam. Antes de Kant, o tempo existia em função do movimento. Depois de Kant, o movimento só existe porque está atrelado ao tempo. Foi introdutor do tempo com uma linha, não um circuito circular sem fim.</p>
<p>Se o Brasil possui mais apreço pelos franceses, alertei Ariel para os germânicos e anglo-saxões. É um <em>trem </em>bem antigo: os latinos possuem o <em>savoir-faire, </em>os anglo-germânicos-escandinavos vão de <em>know-how</em>. Diferentes e parecidos. Lá pelas tantas, fiquei na incumbência de alertar Ariel de que o melhor de Kant estava no final da vida dele, dos livros de seu epílogo. Quando fez as pazes ao rever si próprio, seus pensamentos, suas idéias. Sugeri o segundo livro da <em>Metafísica dos Costumes</em>, o livro dos <em>Princípios Metafísicos da Doutrina da Virtude</em>. E também coube avisá-lo que a <em>Crítica da Razão Pura</em> nada mais era do que uma tentativa de resposta ao empiristas. <em>That&#8217;s all. </em>Qualquer coisa que saia muito disso é tirar o melhor de Kant de seu contexto mais expressivo.</p>
<p>Fica aqui a minha crença de que a crítica é mais técnica do que possa parecer. No fundo, estou cansando de <em>achismos. </em>Às vezes o que irrita é o amadorismo da crítica. Críticos despreparados, que por falta de bagagem, de repertório, entram numas de achar que crítica nada mais é do que um rosário destrutivo de elogios e queixas. Falta à crítica preparo. Preparo nas humanidades, preparo muito mais metafísico, muito mais <em>kantiano</em>, do que psicanalítico. Esse foi o cadafalso de Joyce: a crença na psicanálise, no <em>suco de cérebro. </em>Se ele fosse mais metafísico, talvez tivesse muito mais resposta para sua angústia. E tantas outras pessoas se baseando na impossibilidade de significados que expressem o que se pensa, o que se sente. Esse labirinto um tanto quanto <em>esquisito</em>, o labarinto lacaniano, quase um barroco na análise de alma, um completo despreparo do que as Letras são feitas. Tão técnicas quanto à medicina, à engenharia, as ciências jurídicas. A impressão de que Lancan nunca leu Ferdinand de Sausurre. <em>Muito gri-gri para dizer Gregório</em>. Não foi à toa a frase de Jung para Joyce quando irlandês apresentou os manuscritos da filha: <em>onde você se afoga, ela afunda.</em> Por isso admirei meu café com Ariel. Porque ele, como Estrela, perceberam que a vida vale mais do que se pode entender academicamente dos sentimentos que perspassam por ela. Finalmente onde os autores deveriam estar. Metafisicamente.</p>
<p>E fiquei feliz com o café com Ariel. Encontrei pessoas na minha querida terra-natal, filho daqui, que fala uma língua fantástica. Já conversei com outros também, mas nada tão epifânico como a metafísica numa padaria no Gonzaga. Ariel é um poeta ambicioso: a fusão da metafísica com a poesia. Será que ele consegue? Gostaria de estar vivo quando esse dia chegasse. Não que a ambição começou numa padaria no Gonzaga, ela é de certa antiguidade. Mas para mim foi revelada. É um trabalho de vulto para um escritor que fora das escritas escreve colóquios sonoros de apreensão visual sobre metáforas tão acachapantes quanto o tapa de uma onda de cinco metros na nuca de um banhista desavisado. Não me parece ser tão cinestésico assim, mas treina sua morfossintaxe-sabre nas agruras de um baile funk ou quando ensina um menino de rua a fabricar coquetel molotov.</p>
<p>Para Ariel, palavra como bomba é instrumento tão importante que moradores de rua e pedintes deveriam ter um blog. O desafio da estética: porque <em>Poesia não é catarse. </em></p>
<p>Voltei para a Vila Belmiro (que segundo Ademir Demarchi <em>tem crematório de corpos</em>) feliz da vida. Porque acho que encontrei escritores feitos do dia-a-dia, não acastelados na erudição-hermética-do-saber-assustadoramente-inatingível. Para doutos e para hordas. A verossímel fidalguia. Definitivamente, aquele sábado me guardou. Guardou a mim, ao Téo, à Estrela e ao Ariel.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/literaturial.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/literaturial.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/literaturial.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/literaturial.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/literaturial.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/literaturial.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/literaturial.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/literaturial.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/literaturial.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/literaturial.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/literaturial.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/literaturial.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/literaturial.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/literaturial.wordpress.com/109/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=literaturial.wordpress.com&amp;blog=9247797&amp;post=109&amp;subd=literaturial&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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